Perdidos no tempo
Mexer nas – muitas – coisas que eu ainda guardo na casa da minha mãe é sempre uma surpresa. Eu encontro cada uma…
Hoje, dando uma folhada num antigo bloco de anotações, encontrei de tudo: cursinhos preparatórios pro vestibular, lista de empresas pra onde eu queria mandar meu CV, setlist de músicas pra gravar num cd que eu levaria comigo nas viagens de carro que eu sabia que teria que fazer quando comecei a trabalhar na Star Asia… e textos. Sobre amizade, desilusão, alegria.
Frases minhas e de outros que eu nem sei mais quem são. Na verdade, nem esses aqui eu sei se são meus, se é letra de alguma música, se copiei de algum lugar. Porque quando eu escrevo – ou somente tomo nota do que outros escreveram – é porque eu me identifiquei com aquelas palavras. Sejam as que eu escrevi ou as que poderiam muito bem ter saído das minhas mãos.
Mas não importa. O que mais me chamou a atenção é que, num único bloquinho de pouco mais de 50 páginas (se não menos), estão quase 10 anos da minha vida. E graças a esses textos, eu me lembrei de coisas que nem passavam mais na minha cabeça… como esses trechos aqui…
Nunca mais
“Dancei como se não houvesse algum som
Perdoei como inquisidor de fé mordaz
Sorri como se nada fosse bom
Desejei você como se não quisesse mais
Se ainda houvesse um dia
Eu lhe diria que não queria
Eu olhava para os seus olhos e perguntava
Por quanto eu havia vendido a minha paz?
Eu não quero
Eu não queria
Eu nunca quis mais
Foi tudo tão intenso
E eu só dizia nunca mais”
“Gosto dos venenos mais lentos. Das bebidas mais fortes. Das drogas mais poderosas. Dos cafés mais amargos.
Tenho um apetite voraz. E os delírios mais loucos.Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: ‘E daí? Eu adoro voar!’”
