Desabafo
Às vezes me sinto tão perdida… E, pra mim, sempre foi tão difícil desabafar. Sei lá, acho estranho falar sobre essas coisas.
E aí venho até o papel. Parece bobagem, mas há um tempinho que eu percebi que estar com o papel é quase como estar no meio dos cachorros. Ali não tem julgamento, não tem frescura… não tem mentira.
Você é o que é - e é isso que importa. Não precisa medir suas palavras, suas ações. Porque você sabe que ali vai ter uma resposta direta. Uma resposta verdadeira. Seja ela boa ou ruim.
Muita gente estranha essa relação maluca que eu tenho com a Maya. Essa coisa doida que a gente tem uma com a outra. Mas a verdade é que essa – digamos assim – loucura é muito mais minha do que dela. Sou eu quem precisa desse sentimento puro que só um animal pode te dar. Ou o papel. A Maya não conhece outra coisa… pra ela, tudo é sincero.
Quando eu releio alguma coisa que escrevi, sempre me lembro a situação em que eu estava pra escolher aquelas palavras. Porque o papel não esconde nada – basta saber ler as entrelinhas. O papel me lembra a alegria, a tristeza, a raiva ou seja lá o que for que eu sentia! Tudo que eu jogar nele, ele joga de volta pra mim.
A verdade é que estou me sentindo incomodada ultimamente. Talvez por ter sido meu aniversário – e eu sempre faço um balanço geral nessa época. Tanta coisa boa!! E tanta mentira… Pra quê? Não sei… não sei – porque, por mais que eu tenha sentido essa mentira na pele tantas vezes, eu não consigo colocar isso na minha vida! Não aceito. Não tolero. Não serve pra mim… Máscaras não me caem bem.
Se você me perguntar daqui a uma hora o que é que aconteceu comigo hoje, eu já não vou saber. Não vou saber porque sou geminiana – e a tristeza vira alegria num piscar de olhos. Mas nesse exato momento, o que eu sinto é impotência. Dúvidas, porque aquela perguntinha que mamãe sempre adorou repetir (“O que é que você vai fazer da sua vida, menina??”) ainda não tem resposta. Talvez melhor assim.
Mas fica aí o desabafo. No papel. Nas lambidas da Maya. E viva a reciclagem!!
